O PERFIL DA VIOLÊNCIA

VALDÊNIA BRITO MONTEIRO

Sessenta e oito pessoas foram mortas entre a quinta-feira (dia 13/04) e domingo (dia 16/04) em Pernambuco, durante o feriado da Semana Santa. Os dados foram fornecidos pela Secretaria de Defesa Social e publicado nos principais jornais do Estado.

Quem são essas pessoas assassinadas? São em sua maioria homens, de bairros periféricos, pobres, sem escolaridade, urbanos, sem trabalho e negros. Também não se podem esquecer as mulheres, que vêm sendo mortas por serem companheiras, amigas e familiares desses homens. Este é o perfil. A realidade mostra que não se tem conseguido diminuir a violência. Vive-se hoje o limite entre a civilidade e a barbárie. Muitas vezes, as pessoas não têm clareza dos seus direitos. Vivem numa continuada estigmatização de “classes perigosas”.

A criminalidade tem aumentado. Todas as classes sociais enfrentam o drama desta realidade, mas não se pode esquecer que há uma população mais vulnerável, socialmente excluída e juridicamente submetida ao código penal. Essas pessoas são reféns do crime organizado nas suas áreas e “vivem a mercê da polícia e de outros agentes da lei que definem na prática que direitos serão ou não respeitados” (Murilo de Carvalho). Essa assimetria entre pobres e ricos que representa o panorama brasileiro, alimenta a expansão da violência social.

Como diz Hannah Arent, “somente a pura violência é muda”. Na realidade ela expressa que esse emudecimento fragiliza qualquer possibilidade de diálogo, porque a violência vai consolidando um aniquilamento, uma paralização das pessoas. Por isso, virou norma viver com medo.

Enquanto não houver clareza do Brasil que se quer construir, na perspectiva de uma cidadania, e continuar com essa política dos excluídos de direitos fundamentais e de uma segurança cidadã, cada vez mais vai diminuir a possibilidade de uma civilidade. Paradoxalmente, as estatísticas da guerra, da morte anunciada e dos conflitos armados vão aumentando. Necessário se faz reverter esta situação da cultura da violência.

Valdênia Brito Monteiro é advogada e faz parte da Coordenação Colegiada do GAJOP



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