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O GOVERNO DE EDUARDO CAMPOS
VALDÊNIA BRITO MONTEIRO
Algumas decepções foram manifestadas
por quem trabalha com direitos humanos e outros segmentos da sociedade
civil em relação ao futuro governo de Eduardo Campos e seu
secretariado. Ainda é uma incógnita a preocupação
deste governo com o tema direitos humanos. Espera-se que haja uma articulação
com os movimentos sociais numa perspectiva mais politizada. Por enquanto,
ainda paira um silêncio sobre o assunto.
Quanto ao secretariado, o cenário mostra que os cargos foram divididos
a partir das alianças feitas com os partidos coligados (curral
eleitoral). Algumas secretarias serão comandadas por pessoas que
nada têm a ver com a pasta, mesmo que se argumente que o secretariado
tem um papel político. Quanto à pasta de Defesa Social,
o gargalo de qualquer governo, o fato não se resolve exclusivamente
em colocar o melhor consultor para auxiliar na construção
da política pública. É necessária uma articulação
com as demais secretarias para a prevenção da violência.
Neste sentido, a Secretaria da Cidade tem um papel fundamental no novo
cenário, caso tenha uma visão de conjunto. A Carta Mundial
do Direito à Cidade pode ser um bom referencial para o novo governo,
pois expõe os princípios e fundamentos estratégicos
como: a gestão democrática, a função social
da cidade e da propriedade; sobre a desigualdade e a não discriminação;
proteção especial de grupos e pessoas vulneráveis;
compromisso social do setor privado; impulso à economia solidária
e a políticas impositivas e progressivas; direito à moradia;
direito ao trabalho e ao meio ambiente; obrigação e responsabilidades
do Estado na promoção, proteção e implementação
do direito à cidade e suas medidas.
Percebe-se que a Carta Mundial do Direito à Cidade tenta articular
o direito básico da população e no caso especifico
da segurança pública busca que as cidades “devem se
comprometer com a criação de condições para
a convivência pacífica, ao desenvolvimento coletivo e ao
exercício da solidariedade, para tanto garantirá o pleno
usufruto da cidade, respeitando a diversidade e preservando a memória
da identidade cultural de todos os cidadãos sem discriminação”.
A Carta traz todas as possibilidades de construção de uma
política pública articulada.
Enfim, o governo tem todas as condições de pensar uma ação
mais articulada, apesar do cenário apresentado de tanta desilusão
e descrença da população e dos movimentos sociais.
Esperamos que as pessoas envolvidas nesse novo governo sejam capazes de
levar a sério os problemas do Estado e trabalhe objetivando a (res)
pública.
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Valdênia Brito Monteiro é advogada, professora
de Criminologia e membro da Coordenação Colegiada do GAJOP.
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