Notícias

Nacional - 18/07/2011

UNE promove ato de apoio à Comissão da Verdade

A praça universitária Honestino Guimarães, em Goiânia, parou na tarde da última sexta-feira (15), durante o 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) para um ato em defesa da democracia. Estudantes de todo o Brasil manifestaram apoio à aprovação pelo Congresso Nacional do Projeto de Lei que cria a Comissão Nacional da Verdade, destinada a esclarecer o que ocorreu no país durante a Ditadura Militar (1964-1985). Os ministros Maria do Rosário (Secretaria de Direitos Humanos) e José Eduardo Cardozo (Justiça) participaram da atividade e reforçaram a importância do resgate histórico para o país.

O presidente da UNE, Augusto Chagas, iniciou o ato afirmando que esse tema é muito especial para os estudantes brasileiros. "Construímos esse debate com a alegria de quem quer consolidar a democracia no nosso país. Não se trata de vingança, mas de garantir que isso [Ditadura Militar] nunca mais aconteça", enfatizou.

Segundo a ministra Maria do Rosário, "o ato significou um momento histórico dos mais importantes para a democracia do país." Ela lembrou que no período ditatorial, estudantes não podiam participar de manifestações como essa e os que ousavam defender a democracia, muitas vezes não voltavam mais para suas casas.

"O desaparecimento forçado, a tortura e os maus-tratos foram, numa época, prática de governo e de Estado. O Brasil democrático de hoje deve à generosidade de uma geração o fato de estarmos aqui com a liberdade instaurada e podermos, em nome deles, dizer que cada um de nós tem o direito de saber a verdade", destacou a ministra.

Ao afirmar que a democracia não é algo acabado e que a cada dia é construída e fortalecida, Maria do Rosário pediu que cada participante do ato que gostaria de saber o que aconteceu durante o regime militar no país levantasse a mão. Todos levantaram. "Não existiram dois lados. O que existiu naquele perído foram jovens lutadores pela pátria, pela democracia, e de outro lado a força do Estado que hoje, diante do povo brasileiro, pede perdão por tudo aquilo que ocorreu", concluiu.

O ministro da Justiça afirmou que todos os arquivos referentes ao período ditatorial devem ser disponibilizados ao público. Ele disse ainda ter orgulho de ser de um governo que tem posição clara de defesa da memória e da verdade.

José Eduardo Cardozo destacou que o direito à memória pressupõe o direito à verdade. "Não há possibilidade que um país seja democrático se sua história não for escrita com toda a verdade. Esse projeto [que cria a Comissão da Verdade] não é só do governo, mas de todo o povo brasileiro."

Além do presidente da UNE e dos ministros, também se manifestaram favoravelmente ao projeto a presidenta da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, deputada Manuela D'Ávila, o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, e o presidente da Associação dos Anistiados de Goiás, Hélio Cabral.

Comente

comentários 1

25/07/2011

Maria Auxiliadora Santa Cruz Coelho

Precisamos de uma comissão da verdade e da Justiça. Que seja ampla e sem a presença de militares na comissão.Uma comissão que realmente dê conta das investigalções, como foi feita na Argentinas e no Chile. que haja punição para os assassinos e torturadores

ABELARDO DA(S) HORA(S)... INESQUECÍVEIS!

Rua do Sossego, 307! Era assim que eu reconhecia a casa do nosso vizinho de rua... Sorridente, por vezes a porta de sua casa, conversava com todo mundo. Sempre munido de uma boina branca e uma camisa de linho bem posta. Mas, apesar da coincidência de endereços, foi o trabalho e a crença em um ideal de justiça que proporcionou, por várias vezes, o nosso encontro.

POR OUTRO MODELO DE ATENÇÃO À INFÂNCIA

Joel Birman (2012) faz uma acurada reflexão sobre as modalidades do mal estar e sua incidência na subjetividade atual, em seu livro intitulado “O sujeito na contemporaneidade”. Para Birman, há uma compulsão na atualidade pelo uso de psicotrópicos, que se modela e dissemina em nossos dias de forma banal. Com a popularização do uso de diversos psicotrópicos, compreende-se que há um remédio para qualquer mal estar. Com efeito, há uma modificação nos laços sociais, intermediado pelo imperativo farmacológico, a cada manifestação de comportamentos singulares.

AÇOITES

Em “12 anos de escravidão”, filme que traz para a tela do cinema a história do violinista Solomon Northup (homem negro, que teve sua vida interditada e brutalmente modificada após ser traficado), a temática da tortura, no formato de escravidão, cometida contra negros é abordada de maneira singularmente realista, o que gera aos telespectadores a possibilidade de refletir sobre essa forma de violência, ainda tão presente nos dias atuais.

» Veja mais opiniões






» Veja mais publicações
Rua do Sossego, 432, Boa Vista, Recife - CEP 50050-080 - Fone: (81) 3092-5252   Fax: (81) 3223-0081

© 2009 GAJOP - Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares - Todos os direitos reservados.

Site desenvolvido por Ideias Bordô