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Publicação do Gabinete
de Assessoria Jurídica às Organizações Populares
| Recife, 10 de outubro de 2005 ANO III
N Ú M E R O
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REFERENDO
O GAJOP e o CENDHEC estão convocando
profissionais das entidades de direitos humanos de Pernambuco para se
reunirem nesta quinta-feira, dia 20, às 16:30 h, no GAJOP, para
uma discussão aberta (sem expositores) a respeito do papel destas
entidades em relação ao referendo sobre a proibição
da comercialização de armas e munições.
As duas entidades são favoráveis ao desarmamento e acham
oportuno, às vésperas do referendo, fazer uma reflexão
coletiva sobre o significado da posição institucional
adotada pelo SIM.
VISITA A PERNAMBUCO DO RELATOR DA ONU SOBRE RACISMO
Nesta sexta-feira e sábado, dias
21 e 22 de outubro, Pernambuco recebe a visita do Relator Especial da
ONU sobre Formas Contemporâneas de Racismo, Discriminação
Racial, Xenofobia e outras Intolerâncias relacionadas à
Questão Racial, Doudou Diène. Esta visita se insere na
missão oficial que ele está fazendo ao Brasil –
desde segunda-feira, dia 17, até a próxima, 24 de outubro
-, onde visita Brasília, Salvador, Rio de Janeiro e São
Paulo, com a finalidade de conhecer a realidade brasileira no que diz
respeito ao seu mandato.
O objetivo da missão é investigar manifestações
de racismo, discriminação racial, xenofobia e outras intolerâncias
que atingem preferencialmente a população negra, indígena
e cigana, bem como os trabalhadores imigrantes e refugiados. O relator
quer conhecer e analisar as medidas adotadas pelo governo brasileiro
a fim de coibir o racismo no país, bem como saber o cumprimento,
pelo Brasil, das recomendações feitas pela relatoria,
após a sua última visita ao país, em junho de 1995.
Pernambuco foi incluído na sua
agenda oficial após um amplo processo de mobilização
das organizações da sociedade civil de defesa dos direitos
humanos, das questões raciais e indígenas. Entre eles,
o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Articulação
Negra, Conselho Indigenista Missionário e Centro de Cultura Luis
Freire. Estas entidades vêem nessa missão a possibilidade
de dar visibilidade ao problema do racismo no Brasil e em Pernambuco,
bem como a frágil atuação do governo brasileiro
no que se refere à adoção de políticas públicas
efetivas, capazes de prevenir e combater a existência e perpetuação
da violação aos direitos humanos das pessoas negras, indígenas,
ciganas e imigrantes.
No Recife, o relator se reúne com a sociedade civil na sexta-feira,
dia 21, a partir das 15h30 no Museu da Cidade (Forte das Cinco Pontas),
no bairro de São José. Ocasião em que vai ter a
oportunidade de dialogar com representantes das organizações
que defendem os direitos do povo negro, além das organizações
filiadas ao MNDH. Também está prevista reunião
com o Núcleo de Estudos Ciganos do Recife.
O debate vai focar as violências sofridas cotidianamente pelos
negros e negras no Estado de Pernambuco, destacando-se as mais emblemáticas,
como a falta de acesso à justiça, violência policial,
moradia inadequada, questão quilombola, intolerância religiosa
e as violências sofridas pelos imigrantes africanos.
Estes e outros problemas, além de casos exemplares, vão
ser apresentados numa reunião com aproximadamente 20 organizações
sociais. Na ocasião, também vai ser entregue um relatório
elaborado pelo conjunto das entidades, e organizado pelo dhINTERNACIONAL,
programa desenvolvido numa parceria entre o GAJOP – Gabinete de
Assessoria Jurídica às Organizações Populares
e o MNDH/NE – Movimento Nacional de Direitos Humanos – Regional
Nordeste, que também está organizando a visita ao estado.
O debate será concluído com uma manifestação
afro-religiosa e cultural, na qual o Afoxé Oyá Alaxé
vai se apresentar, seguido de um cortejo de maracatu até o Pátio
do Terço.
O relatório faz uma análise política dos principais
problemas enfrentados pelos negros e negras, imigrantes e indígenas
no estado de Pernambuco, apresenta casos concretos de violência
aos direitos humanos desses segmentos e propõe recomendações
a serem adotadas pelo Estado Brasileiro, na perspectiva de contribuir
para que esses segmentos sejam contemplados pela ação
do Estado, no que se refere a sua missão de construir uma sociedade
eqüitativa.
No sábado, dia 22, o relator vai fazer uma visita a Pesqueira,
no agreste do estado, para conhecer a realidade do Povo Indígena
Xukuru e as violências cometidas contra os 11 povos indígenas
existentes em Pernambuco. A previsão é que o relator chegue
ao território indígena Xukuru por volta das 12h, ocasião
em que deverá almoçar com as lideranças. Em seguida,
o relator vai ouvir o relato das violências pelas demais representações
indígenas, bem como os representantes da APOINME – Articulação
dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito
Santo, COPIPE – Cooperativa de Professores Indígenas de
Pernambuco e COPIXU – Cooperativa de Professores Indígenas
Xukuru.
Estas representações vão relatar violações
cotidianamente sofridas pelos povos indígenas, particularmente
as resultantes da luta em favor da regularização do território
tradicional indígena, a precariedade da educação
escolar e saúde indígena, as discriminações
perpetradas pelo aparelho policial e judicial e o descaso do Governo
Brasileiro que não adota medidas suficientes para resolver os
problemas vivenciados pelos indígenas. Na ocasião, também
vai ser entregue um relatório onde constarão as análises
dos problemas e apresentação de casos concretos.
Em 2004, o Comitê para Eliminação da Discriminação
Racial da ONU apresentou uma série de recomendações
ao Governo Brasileiro sobre a questão, dentre elas, que o Brasil
intensifique esforços para eliminar a discriminação
racial e as desigualdades estruturantes; finalize a demarcação
das terras indígenas até 2007 e proteja o direito dos
indígenas de possuir, explorar, utilizar e controlar suas terras
e recursos naturais; acelere o processo de identificação
das terras quilombolas e distribuição dos respectivos
títulos de propriedade; melhore os programas de formação
dos operadores/as da justiça, sensibilizando-os/as sobre a existência
e atendimento aos crimes de racismo; coíba a propaganda racista
na Internet; adote medidas contra o analfabetismo da população
negra e indígena, dentre outras.
Maiores informações, contatar
o Programa dhINTERNACIONAL – Fone: (81) 3421.1149, através
de Jayme Benvenuto (coordenador), Rivane Arantes e Sébastien
Conan (advogada e advogado do Programa dhI).
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